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Museu Nacional da Quinta da Boa Vista é destruído por incêndio

Museu Nacional da Quinta da Boa Vista é destruído por incêndio

Museu Nacional destruído por incêndio

Ontem foi um dia muito triste para todos nós. Ainda que nem todos compartilhem o mesmo nível de apreço pelos museus, todos pudemos entender o caráter simbólico desse incêndio que consumiu o Museu Nacional, que sobreviveu por 200 anos guardando tesouros insubstituíveis, apenas para ser perdido nesse nosso momento de crise, em decorrência de uma absurda falta de recursos. Perdemos múmias, o mais antigo fóssil humano encontrado no Brasil, esqueletos de dinossauros, dentre muitos outros. 

Essa é uma notícia que foge do tema que tratamos por aqui, mas é difícil imaginar um nerd que não tenha se sensibilizado por ela. Somos todos, afinal, apreciadores da cultura, de uma bem particular, e por mais que boa parte dela seja digital e massificada, ainda assim sabemos o valor do original de uma obra de arte, e a tragédia da sua perda. Crescemos fascinados por mundos em que não vivemos, e muitos dos mundos da ficção nos levam de volta ao passado, um prazer que muitos desenvolvemos de idas aos museus, lugar em que nós, ainda crianças, nos deixamos fascinar pelos gigantes do passado, por pessoas que viveram vidas completamente diferentes de nós, e pelas suas próprias ficções. Perdemos um pedaço irreparável do nosso passado, e muitas crianças que vivem hoje, e as que ainda virão, nunca terão a oportunidade que tivemos de fantasiar outros mundos ao frequentar aquele museu em um lindo parque. É triste, e revoltante. 

A revolta é plenamente compreensível, e o que não faltam agora são dedos sendo apontados para definir os culpados por esse crime contra a humanidade, porque é natural que a imensa maioria não queira de modo algum que isso se repita, já que mais uma vez só aprendemos a dar valor ao que perdemos. Mas antes de mais nada precisamos ser capazes de sentir essa perda, porque sem isso não há um verdadeiro aprendizado, o desenvolvimento de uma apreciação pela arte e do papel da cultura na constituição de um país, e sim apenas mais uma reedição do ódio tribalista. Nesse sentido o incêndio assume mais um caráter simbólico, porque se por um lado existem discordâncias que são sim inconciliáveis e é saudável reconhecê-las, por outro o ódio serve apenas para queimar tudo, inclusive aquilo que nos importa. Mas, é claro, só nos damos conta disso quando o fogo se alastra, antes disso somos na nossa maioria incapazes de perceber as fagulhas se espalhando pelo ar. 

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